terça-feira, 10 de julho de 2012

Primeiras Luas



Dezenove de abril, 2011. Talvez umas 20, 21h ou pouco mais. Trabalhava em Aracati desde janeiro. Morava perto de uma praça privilegiada em vizinhanças. Em frente a uma antiga igreja (Prazeres), a praça desembocava num barzinho onde costumava caçar pores de sol. Estava por ali e me deparei com a lua surgindo ao lado da igreja. Enorme, amarela, saio feito um louco em direção ao apartamento onde morava decidido a fotografar a cena até a morte.



Persigo-a com o celular, surgindo ao lado da igreja, nas poças enlameadas em calçadas...


Subo as escadas aos tropeços (lunáticas fomes e uísque). Arranco a máquina do quarto e começo a atirar da varanda gradeada do apartamento (voltada para sudeste). Passo os dedos freneticamente nas opções da máquina, às cegas, enquanto disparava em direção àquele disco amarelo que parecia rir-se de tudo. Então surge uma pequena esfera distante mas definida na tela de fotos. Paro ali os frenéticos dedos e, com mais calma, começo a aumentar o zoom (bem depois fui perceber que tinha parado os disparos no modo "Manual"). 


Foram aparecendo discos cada vez maiores e mais nítidos - a Lua, enfim!!! No limite do zoom digital as coisas começam a tremer. Meu primeiro tripé, presente de meu pai ao visitar aquele apartamento, veio uns meses depois. 


Enfio a máquina entre as grades da varanda até que paramos de tremer (nesta hora o uísque já havia sido metabolizado em sei lá que tipo de emoções... ). 


Conseguimos as primeiras fotos lunares. Havíamos chegado à lua. Era possível, mesmo com uísques e sem tripés.


Grande momento para um "fotografero" amador. Nada profissional por aqui. Penso às vezes que as técnicas podam as emoções mais simples e espontâneas daqueles que vivem para o lado de cá das lentes. Nada de grandes técnicas ou grandes fotos. Apenas a alegria de ter chegado à lua numa noite perdida, após etílicos e filosóficos momentos de exílio no "Super Grill" (o bar). .






Passei ainda um tempo tentando repetir a "proeza", mas sem sucesso. A falta de tripé (ou de uísque ordinário do Grill).  Acabamos fazendo as pazes e tivemos muitas luas juntos. Geralmente com o tripé.



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