Ocara, 16 de Junho de 2011. Cinco e pouco da manhã. Não sei por que cargas d´água acordo cedo e vou ao quintal (abertura para oeste). Ainda extasiado com o primeiro eclipse na noite anterior.
Deparo-me com a mesma lua, um por - de - lua, acho que o primeiro a presenciar. Máquina e tripé, novamente. Uns arbustos invadiam a cena pelo poente e pareciam buscar lentamente a lua, englobando-a...
Vi quando a lua aproximou-se das folhas como se fizesse parte daquilo, descendo de um céu paulatinamente mais claro.
... Até tornar-se parte do arbusto, como se nascesse de seus botões.
Fundindo-se a eles, lentamente. Chegando a tornar-se um fruto redondo e iluminado.
Por um erro de foco, percebo outro pequeno ser a contemplar a mesma cena. Imóvel e absorto com suas asas imóveis, deveria estar ali desde antes de chegar com minhas lentes.
Ali ficamos por um tempo. Mudos, as asas caladas, totalmente parte daquele jogo único de luzes e folhas, de céus em movimento, cores, vida.
Sugando com a alma cada movimento, cada tonalidade de azul, a luz fundindo-se ao nada, ao invisível.
Até o dia surgir.
Fomos cúmplices de um momento que nunca mais se repetirá com aquelas folhas, aquele céu, aqueles observadores. Senti-me então unido àquele pequeno ser que simplesmente observava sem registrar nada, que apenas vivia o momento.
* * *
Quantos anos ainda levarei para aprender isso?







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