Dezenove de março caiu num sábado. Prevista uma "lua gigante", a maior aproximação deste satélite da terra. Outra destas, em oitenta anos ou mais. Voltei para Quixadá e, com um amigo, subimos a Pedra do Barnei para passarmos a noite ali.
Este local já era um de nossos pontos preferidos de acampamento. relativamente alto e próximo à cidade, podíamos chegar ali a pé. Uma vista fantástica para leste. A Pedra do Índio e outras próximas surgiam no horizonte. Um por do sol especial, céu quase limpo, belas cores.
A Grande Lua veio surgindo entre cores exuberantes de um final de tarde. Cheia, amarela, imponente. Estávamos a postos e de máquina em punho. Naquele tempo eu não conhecia o recurso de "fotos lunares", bastava um tripé e a opção "manual", daí aumentar o zoom em foco (isso eu só descobri meses depois, tarde...). Nem tinha um tripé. Coisas de um "fotografero" amador.
Passei a noite naquelas pedras. Fiquei até tarde sob o luar, ao relento. Havia uma energia diferente, tranquila, profunda, devo ter absorvido isso por horas. Escutei por horas (no celular) "Lama Dorge Chang", uma bela interpretação de Yungchen Lhamo. Sua voz atravessava a noite e o coração, suave como o momento, ao meio de conforto físico nenhum.
naquela noite pudemos escutar o canto de um raro pássaro, sempre oculto e misterioso. O chamam de "Mãe da Lua". Meu amigo o reconheceu. Som distante e melancólico, perfeitamente integrado naquele cenário de trevas, céus e pedras. Nunca esquecerei.
As fotos ficaram medíocres. Mas o momento foi único, o lugar, o som. A vida que passava por ali em energia, os seres que habitavam aquelas pedras, aves, plantas, insetos, a vida daquele momento em conjunto.
Quixadá, habitei por ali uns cinco anos. Deixara de trabalhar naquela cidade em janeiro de 2011, em março já estava em duas outras cidades. Foi o maior presente daquele "Curral de Pedras".







Cara... Estou impressionada com o seu talento de fotografar coisas, principalmente luas. A lua e você tem uma conexão incível! E tudo que você escreve é de uma sensibilidade poética de inspirar até quem não é poeta. eu sou sua fã. Confesso que nunca vi luas mais lindas que as fotografadas por ti. Tu mereces um prêmio!
ResponderExcluirTe adoro, Nestor, você me inspira! Solange Guimarães
Deixe disso... Apenas licantropia. Obrigado...
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